MOVIMENTO NEONAZI QUE PLANEOU ATENTADO CONTRA O PRIMEIRO-MINISTRO
"LÍDERES EVANGÉLICOS" IDENTIFICADOS QUE APOIARAM O MOVIMENTO NEONAZI QUE PLANEOU ATENTADO CONTRA O PRIMEIRO-MINISTRO
Por: Lígia Pinto de Almeida, Diplomática e Presidente da Beit Rem-Kabod
A recente acusação do Ministério Público contra os membros do Movimento Armilar Lusitano (MAL) chocou o país e colocou as autoridades de segurança em alerta máximo.
O envolvimento de um chefe da PSP, a planificação de um atentado contra o Primeiro-Ministro Luís Montenegro e a recolha de dados de alta sensibilidade de várias figuras de Estado revelam uma ameaça subversiva que exige uma reflexão profunda sobre as redes de extremismo em Portugal.
Como defensora dos direitos humanos e da segurança das comunidades, acompanho de perto a atuação do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) e da Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária (PJ) no combate aos movimentos neonazis, antissemitas, racistas e aos esquemas de branqueamento de capitais através de criptomoedas.
No entanto, perante a gravidade do cenário, é fundamental cruzar a retórica com os factos rigorosos da acusação judicial.
Quem Realmente Integra o Movimento?
Os dados partilhados pela investigação jornalística detalham de forma muito clara a génese, os alvos e o perfil dos recrutados pelo MAL.
O Ministério Público descreve um grupo que operava na sombra, com forte pendor belicista e de exaltação a Adolf Hitler.
Liderado por figuras como o chefe da PSP Bruno Gonçalves e Bruno Carrilho, o grupo focava-se no fabrico de armas artesanais através de impressoras 3D (como os modelos FGC-9 e YEET22) e na criação da "Lista dos Indesejáveis".
Militares e polícias ou ex-membros das forças de segurança;
Seguranças privados;
Sobrevivencialistas;
Negacionistas e movimentos anti-vacinação;
Indivíduos de cariz anti-sistema.
Olhando com atenção para as mais de 700 páginas da acusação e para os dados oficiais divulgados pelas autoridades, não existe qualquer menção, identificação ou indiciação de líderes evangélicos como apoiantes ou financiadores desta estrutura terrorista específica.
É compreensível que, num ambiente digital fragmentado, surjam ramificações ou especulações que tentem associar franjas religiosas ultra-conservadoras a movimentos de extrema-direita.
Contudo, no caso do Movimento Armilar Lusitano, a acusação foca-se estritamente em círculos anti-imigração, xenófobos, dinâmicas anti-sistema e indivíduos com competências táticas ou militares.
Propagar a ideia de que há lideranças religiosas identificadas neste processo, sem que isso conste nos autos da Polícia Judiciária, desvia o foco do verdadeiro perigo:
a infiltração de elementos radicais nas próprias forças de segurança do Estado e o avanço tecnológico do terrorismo doméstico (como o armamento 3D).
Antissemitismo e a Subversão Democrática
O verdadeiro foco de preocupação para instituições como a Beit Rem-Kabod e para a diplomacia internacional deve ser a matriz ideológica do MAL.
O grupo não se limitava a discutir ideias;
preparava-se para a ação violenta, tendo como alvos minorias ciganas, LGBT, e judeus, além de pretender incendiar sedes de associações de apoio às vitimas.
A resposta das instituições democráticas foi firme.
Os nove arguidos enfrentam acusações graves que vão desde a chefia e adesão a grupo terrorista ao financiamento do terrorismo e tráfico de armas.
A liberdade de expressão termina onde começa o planeamento de granadas pela janela de um governante ou a execução de cidadãos pelo que pensam ou são.
Portugal continua a ser um país seguro, mas a vigilância sobre o branqueamento de capitais por criptoativos e o tráfico de armas digitais deve ser redobrada, sem nunca perdermos de vista a verdade factual que sustenta a nossa justiça.