SCHRAMM É UMA ADVOGADA JUDIA SEFRADITA

   Ligia Pinto de Almeida e Lourdes Schramm 

​Lourdes Schramm é uma  Advogada Judia Sefradita 

POR Moises Broder 

​Como herdeiro da memória de Sefarad, ler o diálogo entre a Diplomata Ligia Pinto de Almeida e a Dra. Lourdes  Schramm é como ver o passado e o futuro apertarem as mãos. A clareza da Dra. Lourdes ao definir a nossa identidade é um bálsamo para quem, como eu, carrega o peso de uma diáspora que nunca esqueceu as suas chaves de casa na Península Ibérica.

​A Resiliência como Definição de Sionismo

​A Dra. Lourdes toca num ponto nevrálgico: em 2026, o Sionismo não pode ser lido apenas através de lentes do século XX. Para nós, Sefarditas, o "retorno" é um conceito circular. Ao apoiar Israel como um hub de inovação e segurança, estamos a garantir que o erro histórico da nossa expulsão nunca mais se repita. Como ela bem nota, a verdade jurídica é a nossa nova muralha.

​ A Geografia do Coração (Sefarad)

​É fascinante como a Dra. Lourdes descreve Sefarad não como um ponto, mas como uma herança. Para um sefardita, Portugal não é apenas um país de residência; é a terra onde o nosso ADN se funde com a calçada. A menção ao Norte de África e ao Império Otomano recorda-nos que somos um povo de pontes. Onde outros veem fronteiras, nós vemos rotas comerciais e culturais que mantivemos vivas por 500 anos.

 O Sacrifício e a Continuidade (IDF)

​O comentário sobre a família na IDF (Tzahal) ressoa com todos nós. Existe uma ligação mística entre o jovem sefardita em Lisboa e o soldado em Israel. A farda mencionada pela Dra. Lourdes não é apenas tecido; é a garantia de que o "Próximo ano em Jerusalém" deixou de ser uma oração desesperada para ser uma realidade protegida.

     Lourdes Schramm escuta Ligia Pinto de.   Almeida 

​​A Dra. Lourdes é certeira ao citar Jorge Sampaio e a Lei do Retorno. Portugal vive hoje um renascimento judaico. O fenómeno de Belmonte e a "Herança Marrana" provam que a identidade judaica em Portugal não foi apagada, foi apenas "guardada". O facto de Portugal ser hoje um dos países mais seguros da Europa para os judeus é uma vitória da democracia portuguesa e da persistência da nossa linhagem.

 O Combate ao Ódio: Lei e Luz

​Concordo plenamente com a abordagem da Dra. Lourdes sobre o Neonazismo. Como advogado do pensamento sefardita, vejo que:

  • A Lei deve ser o escudo (Rigor Jurídico).
  • A Educação deve ser a espada (Combate à ignorância).

​O ódio ao judeu em 2026 é frequentemente um ódio à diferença e à memória. Ao "desmistificar preconceitos", a Dra. Lourdes propõe uma integração que não anula a identidade, mas a celebra como parte do mosaico português.

Nota Final de Moises Broder:

Esta entrevista é um manifesto de que o Judaísmo Sefardita em Portugal não é um museu de memórias, mas um organismo vivo. Entre a diplomacia de Ligia e o rigor de Lourdes, encontramos o caminho para uma convivência onde a história é honrada e o futuro é construído com segurança e orgulho.


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