DESTACAMENTO DE ACÇÕES ESPECIAIS - UNIDADE DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DO CORPO DE FUZILEIROS


O DAE: A Ponta de Lança da Marinha Portuguesa

POR Nuno Rogeiro 

​O Destacamento de Acções Especiais, fundado em 1985, é a unidade de operações especiais da Marinha Portuguesa (Corpo de Fuzileiros). É uma força pequena, mas altamente especializada, preparada para atuar em ambientes marítimos, costeiros e terrestres.

​Treino e Parcerias Internacionais

​O DAE mantém um nível de interoperabilidade excecional com as melhores unidades do mundo. O facto de ser uma unidade pequena permite um intercâmbio constante:

  • Shayetet 13 (Israel): Especialistas em sabotagem subaquática e contra-terrorismo marítimo.
  • Navy SEALs (EUA): Treino regular em operações anfíbias e reconhecimento especial.
  • Delta Force (EUA): Embora a Delta seja focada em contraterrorismo terrestre, o intercâmbio ocorre frequentemente em contextos de operações conjuntas e técnicas de infiltração.
  • SBS (Reino Unido): A unidade "irmã" britânica com quem partilham táticas de mergulho de combate.

​Capacidades Técnicas

  • Operações com Submarinos: São os únicos em Portugal treinados para infiltração e exfiltração através de submarinos (classe Tridente), utilizando veículos de propulsão de mergulhadores e saídas em imersão.
  • Mergulho de Combate: Especialistas em circuitos fechados (sem bolhas) para aproximações discretas.
  • Infiltração Aérea: Domínio total de técnicas HALO/HAHO (paraquedismo a grande altitude).

​O Batismo de Fogo: Guiné-Bissau (1998)

Mencionou corretamente a operação na Guiné-Bissau. Esta foi a missão que colocou o DAE no mapa da opinião pública. No âmbito da Operação Crocodilo, os elementos do DAE:

  1. ​Realizaram o reconhecimento das praias para a extração.
  2. ​Garantiram a segurança imediata de civis portugueses e estrangeiros sob fogo.
  3. ​Operaram de forma autónoma antes da chegada do grosso das forças.

​Sobre o "Mito" e a Realidade

Nota sobre Nuno Rogeiro: Rogeiro é um analista civil com profundas fontes no setor da inteligência e defesa, mas a ideia de que "pertence à CIA" faz parte do folclore que rodeia analistas com acesso a informação privilegiada. Ele atua como um divulgador e estudioso da estratégia militar.

​Operações Clandestinas

​Sobre a realização de operações não oficiais: por natureza, se são clandestinas, não há registo público. No entanto, sabe-se que o DAE é a unidade de eleição para:

  • Recolha de Inteligência Humana (HUMINT) em zonas de conflito onde Portugal tem interesses.
  • Proteção de embaixadores em cenários de alto risco (como aconteceu recentemente na Ucrânia).
  • Interdição Marítima contra o narcotráfico internacional em águas profundas.

​O DAE é, sem dúvida, a unidade portuguesa que mais se aproxima do conceito de "operador de elite global", mantendo um perfil deliberadamente baixo .

​ Equipamento de Elite: O Estado da Arte

O DAE não utiliza o equipamento padrão do resto das Forças Armadas. Eles têm autonomia para selecionar o que há de melhor no mercado global:

  • Armamento: Transitaram para a plataforma Heckler & Koch HK416 (a mesma usada pelos SEALs e pela Delta Force), muitas vezes equipada com silenciadores de última geração e óticas EOTech ou Aimpoint.
  • Visão Noturna: Utilizam dispositivos de visão noturna de fósforo branco (GPNVG-18, os famosos "quatro olhos"), que oferecem uma percepção de profundidade superior em ambientes urbanos ou no interior de navios.
  • Veículos Subaquáticos: Rogeiro já mencionou o uso de "scooters" subaquáticas de alta autonomia que permitem aos mergulhadores do DAE percorrer milhas sem fadiga, partindo de submarinos a grande distância da costa.

​ Missões Recentes e "Discretas"

​Para além da Guiné-Bissau, o DAE tem estado envolvido em operações que Rogeiro classifica como cruciais para a segurança nacional e internacional:

​A Proteção na Ucrânia (2022-2024)

​Embora Portugal não tenha tropas combatentes na Ucrânia, o DAE foi a unidade escolhida para garantir a proteção da Embaixada de Portugal em Kiev e a segurança de altas entidades portuguesas em solo ucraniano. Esta é uma missão de "proteção próxima" em zona de guerra, onde o risco de mísseis e sabotagem é constante.

​Missões na República Centro-Africana (RCA)

​Embora o Exército (Paraquedistas e Comandos) detenha a maior visibilidade na RCA, o DAE tem sido projetado para missões de reconhecimento especial e proteção de pontos sensíveis, operando muitas vezes sem o uniforme padrão para manter a discrição.

​Combate à Pirataria no Golfo da Guiné

​Esta é a "casa" do DAE. Rogeiro destaca frequentemente que os operadores do DAE são os especialistas em VBSS (Visit, Board, Search, and Seizure) em ambiente não cooperativo — ou seja, retomar navios capturados por piratas armados.

​ A Comparação de Rogeiro: DAE vs. Outras Unidades

Conclusão de Nuno Rogeiro: O DAE é o que se chama de um "Force Multiplier" (Multiplicador de Força). Sendo uma unidade pequena, Portugal consegue projetar poder e influência na NATO e na ONU que seria impossível apenas com forças convencionais.

​Entrar no DAE (Destacamento de Acções Especiais) é um dos maiores desafios militares em Portugal. Não se entra "diretamente" da vida civil para o DAE; é um percurso de progressão dentro da Marinha.

​Aqui está o roteiro passo a passo e os requisitos atualizados para 2025/2026:

​O Caminho Obrigatório: Ser Fuzileiro

​Antes de sequer pensar no DAE, tem de ser um Fuzileiro. O concurso de entrada para os Fuzileiros é o primeiro filtro.

  • Idade: Até aos 24 anos (para Praças) ou 27 anos (para Oficiais com licenciatura/mestrado).
  • Habilitações: Mínimo 9.º ano (Praças) ou 12.º ano/Ensino Superior (Oficiais).
  • Nacionalidade: Portuguesa.

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