ANTISEMITISMO EM LISBOA


Mensagens antissemitas e vandalismo repetido atingem centro judaico em Lisboa

Mensagens antissemitas e vandalismo repetido atingem centro judaico em Lisboa

O Centro Cultural Judaico Rua da Judiaria, em Lisboa, tem sido alvo de atos semanais de vandalismo e de mensagens de ódio desde o início da guerra no Médio Oriente, em 2023.

Daniela Ruah 

A denúncia foi feita pelo fundador da associação, Luciano Waldman, que alerta para uma “explosão de antissemitismo” na capital.

Nas paredes exteriores do centro, surgem regularmente autocolantes e frases como “Vocês não são bem-vindos a Portugal” ou “Morte a Israel”. Na última semana, estavam inscritas mensagens como “Free Gaza”, acompanhadas de insultos aos judeus, como “assassinos de crianças”.

Luciano Waldman acrescentou que, a cada duas semanas, alguém tenta arrancar da parede a Estrela de Davi que identifica o espaço, avança a Lusa .

O dirigente relatou também confrontos pessoais, incluindo insultos racistas, como “Volta para a tua terra, o homem do bigodinho tinha razão”. Num episódio recente, descreveu ter sido ameaçado por um indivíduo ligado ao movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que lhe terá gritado: “sionistas como tu têm que morrer”.

À Lusa, o BDS negou qualquer envolvimento e afirmou não ter conhecimento dos incidentes. A organização declarou ainda não tolerar atos discriminatórios de qualquer natureza, rejeitando a associação entre críticas ao Estado de Israel e antissemitismo.

Luciano Waldman disse já ter apresentado centenas de queixas à Câmara de Lisboa, mas considera que “nada é feito e as coisas estão só a piorar”. As mensagens de ódio têm sido também divulgadas nas redes sociais do centro, no Instagram e no Faceboo

O Centro Cultural Judaico Rua da Judiaria, fundado em 2019, tem 600 associados e dedica-se à salvaguarda e promoção do património judaico-português.

A denúncia surge num contexto marcado pela guerra em Gaza, desencadeada a 7 de outubro de 2023 com os ataques do Hamas no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e 250 reféns. Em resposta, Israel lançou uma ofensiva militar que já provocou mais de 63 mil mortos, segundo as autoridades locais, além da destruição generalizada de infraestruturas e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.






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