CATAR ESPIONOU MULHER
POR Moises Broder
Documentos obtidos pelo The Guardian revelam que o Catar encomendou uma operação de espionagem privada contra a mulher que acusa o procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, de abuso sexual.
Segundo o jornal britânico, a operação foi conduzida por duas empresas de inteligência que coletaram informações pessoais da vítima e de sua família, inclusive dados de passaporte e registros de voo, numa tentativa de minar sua credibilidade.
A investigação aponta que a empresa Highgate, sediada em Londres, e outra menor, chamada Elicius Intelligence, foram contratadas para conduzir o trabalho em nome de uma unidade diplomática de alto nível do governo do Catar.
O objetivo era buscar vínculos entre a vítima e Israel — tentativa que, segundo o próprio The Guardian, não encontrou nenhuma evidência. O caso lança novas suspeitas sobre a influência política de Doha dentro do TPI e sobre o alcance de suas ações para proteger aliados e interesses no tribunal internacional.
Karim Khan, que em 2024 emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, nega as acusações de má conduta.
Pessoas próximas a ele alegam que as denúncias seriam parte de uma “campanha orquestrada”. Ainda assim, o caso expõe como governos hostis a Israel, como o Catar, recorrem a espionagem e intimidação para proteger figuras alinhadas à sua agenda política — corroendo a credibilidade do sistema internacional de justiça.